De executivo a conselheiro: por que falar de caixa vai além da área financeira

Antonio Guido

Antonio Guido

Governança Corporativa | Turnaround | Conselheiro

Arquitetura da Previsibilidade™

Estou me desenvolvendo em um programa de Finanças para Conselheiros e, enquanto mergulho nos temas de fluxo de caixa, capital de giro e custo de capital, relembro muito da minha atuação como executivo em projetos focados em margem, negociação com fornecedores e gestão do relacionamento com clientes.

Com base nesta preocupação, consegui transformar projetos com margem deficitária em positiva, outro de 18% para 47% de margem.

Essa transição do executivo que está no dia a dia para o papel de conselheiro tem reforçado uma visão: caixa e margem não são responsabilidade exclusiva do CFO ou do conselho; são consequências diretas das decisões tomadas por gerentes, diretores e líderes de área. Cada prazo negociado, política comercial definida ou projeto aprovado mexe no fluxo de caixa, no risco e na capacidade da empresa investir e crescer.

No curso, fica evidente como um fluxo de caixa bem estruturado e uma gestão disciplinada de capital de giro podem ser a diferença entre atravessar crises com fôlego ou depender de endividamento caro. Transparência, prestação de contas e responsabilidade corporativa começam em decisões aparentemente operacionais: prazo de recebimento e pagamento, nível de estoques, política de crédito e cobrança. Na prática, já vivi iniciativas em que ajustes pontuais em condições comerciais, mix de clientes e negociação com fornecedores geraram impacto direto na geração de caixa – muitas vezes mais rápido e eficiente do que buscar novas fontes de financiamento.

É exatamente essa conexão entre operação, estratégia e finanças que levo comigo para o papel de consultor e conselheiro. Meu principal aprendizado nessa migração é: empresas mais resilientes são aquelas em que conselho e executivos constroem, juntos, uma agenda em que caixa, risco e investimentos têm o mesmo peso que vendas e crescimento. Não se trata de transformar todos em especialistas financeiros, mas de criar uma cultura em que os números sustentam decisões melhores, em todos os níveis de liderança.

E na sua realidade: as conversas sobre caixa e capital de giro ainda estão concentradas na área financeira ou já fazem parte da mesa de discussão entre executivos e conselho?

Matéria escrita com base na aula "Gestão de Recursos Financeiros", ministrada por Regina Biglia, em curso da Board Academy.

Leia também: dominar finanças, a nova fronteira para quem quer atuar em conselhos e valuation não é número, é governança.

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