A Facens (Faculdade de Engenharia de Sorocaba) é onde iniciei minha formação em Engenharia Elétrica, telecomunicações e eletrônica. Recentemente, voltei àquele mesmo campus — mas desta vez não para assistir a uma aula teórica, e sim como competidor no Hackathon de Inteligência Artificial, que contou com a abertura de Evandro Lima, da Oracle.
Ao lado de Marcus Vinicius Pinho, aceitamos o desafio de conceber e construir uma plataforma esportiva inteligente. A concepção e a energia da ideia foram essencialmente dele. A minha contribuição esteve exatamente naquilo que desenvolvi ao longo de mais de três décadas liderando operações complexas: ajudar a estruturar o problema, explorar caminhos viáveis, separar ruído de sinal e preparar a equipe para defender a solução com clareza executiva no palco. Marcus conduziu essa apresentação de maneira brilhante.
Reconhecimento entre as equipes premiadas na sede da Oracle Brasil (São Paulo).
O fechamento de um ciclo
O resultado desse esforço coletivo foi estarmos entre os times premiados do hackathon. Mais do que a conquista em si, a entrega da premiação ocorreu na sede da Oracle — exatamente a mesma organização multinacional por onde passei e liderei projetos estratégicos no passado.
Há uma simbologia poderosa quando a trajetória profissional fecha esse tipo de ciclo: você sai da universidade técnica, percorre o mundo corporativo de alta complexidade e, décadas depois, retorna à arena da inovação na fronteira da Inteligência Artificial.
A armadilha da ilusão técnica no C-Level
Marcus é um entusiasta incansável de inovação, embora não atue diretamente com desenvolvimento de software. Eu mesmo não dominava cada uma das bibliotecas e ferramentas de IA específicas necessárias para a construção do protótipo no prazo recorde de um hackathon.
E o que fizemos? Exatamente o que toda liderança e todo colegiado de governança precisa saber fazer: identificamos com precisão o que faltava e articulamos quem dominava aquela competência complementar.
"Não é preciso dominar todas as ferramentas para conduzir uma solução. É preciso saber estruturar o problema, reconhecer o que falta e buscar a competência certa no momento certo."
Esse aprendizado não se aplica apenas a competições de tecnologia. Ele é, na verdade, o maior dilema dos Conselhos Consultivos e de Administração hoje no Brasil.
O papel do Conselheiro diante da Inteligência Artificial
Muitos fundadores, conselheiros e diretores sentem-se paralisados diante da velocidade da IA generativa e da automação. Há quem acredite que, para deliberar sobre IA em uma empresa média ou familiar, o conselho precise aprender a programar ou contratar um tecnólogo para cada assento.
Isso é um equívoco de diagnóstico. O papel da governança não é operar o algoritmo. É fazer as perguntas que a operação não faz:
- Onde essa tecnologia reduz atrito e onde ela cria novo passivo de continuidade?
- O problema que estamos tentando resolver com IA é um problema técnico ou uma falha de governança de processos?
- Estamos construindo dependência de terceiros ou capacitando a estrutura institucional da empresa?
Saber formular o problema antes de escolher a ferramenta continua sendo a habilidade mais rara — e mais valiosa — em qualquer mesa decisória.
Agradecimentos ao Centro Universitário Facens, à comunidade Hack Inova, à Oracle pelo apoio de infraestrutura, a Carlos Rogério Silva pela condução e organização do evento, e a Regiane Relva Romano pelo convite inspirador.
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